A SOTIERJ e a SOPERJ numa Força Tarefa contra a Epidemia de Dengue
A Sociedade de Terapia Intensiva do Rio de Janeiro (SOTIERJ) promoveu um encontro entre especialistas no último dia 15 de Abril no Auditório do CREMERJ para mostrar alguns aspectos da Epidemia de Dengue no Estado do Rio de Janeiro. A Sociedade de Pediatria do RJ e o CREMERJ apoiaram o evento e, segundo a Dra.Maria de Fátima Goulart, Presidente da SOPERJ, essa união fortalece a especialidade e a medicina em nosso estado.
Apesar de muita chuva, o auditório esteve lotado. Os colegas que fizeram suas apresentações mostraram os aspectos graves da doença e sua experiência nesses atendimentos que iniciaram em Janeiro de 2008. A idéia é que protocolos sejam traçados para treinamento para próximos possíveis eventos semelhantes. Também foram feitas revisões do protocolo da Secretaria Estadual de Saúde e apontadas algumas sugestões de maior detalhamento em fases do atendimento, como na Fase III (choque compensado).
A Dengue apresenta nessa epidemia características diferentes daquela de 2002. Acometeu mais as crianças na sua forma grave e tem duas formas de apresentação que merecem considerações: a Febre Hemorrágica da Dengue e a Síndrome do Choque da Dengue, ambas as formas com alta letalidade, cujo atendimento correto precoce pode evitar.
Chama a atenção alguns aspectos como as manifestações oriundas de Desvio do Plasma, com a presença de serosite (derrame pleural, ascite). O acometimento cardíaco com pericardide, insuficiência cardíaca chama a atenção e critérios metabólicos e hemodinâmicos caracterizando um paciente com inflamação sistêmica e choque hipovolêmico e/ou cardiogênico (ScVO2 diminuída, Resistência Vascular aumentada, lactato aumentado), dor abdominal com hepatomegalia. A presença de choque oculto ou o aparecimento de hipotensão mais tardia na criança mesmo chocada foi lembrado pelos colegas. Possivelmente estamos falando de cepas mais agressivas e características genéticas diferentes.
O atendimento inicial deve vislumbrar o equilíbrio volêmico e enfatiza-se cautela admitindo um máximo de reposição nessa população pediátrica. Outro aspecto é a pedra lenta de plasma que faz com que alguns pacientes devam receber reposição volêmica por mais tempo. O derrame pleural hemorrágico deve ter uma abordagem clínica. A experiência do grupo na drenagem foi, em alguns casos, catastrófica. Naqueles cuja mecânica ventilatória e a troca gasosa estiverem prejudicadas, a tentativa de Ventilação Não Invasiva pode ter bons resultados, ficando a ventilação invasiva para os pacientes com muita instabilidade hemodinâmica.
Essa epidemia é o nosso “Bioterrorismo”. Todo o médico, independentemente da especialidade, deve conhecer as manifestações da Dengue e saber manuseá-la. A importância do pediatra foi enfatizada e a criança grave, que não respondeu a hidratação inicial ou que já apresente a forma grave deve ser prontamente encaminhada para a UTI para receber cuidados específicos. Finalmente, cabe dizer que todos os médicos que estão lidando com esses pacientes manifestaram muito sofrimento e uma sensação de impotência frente ao desfecho grave de alguns pacientes.
O Departamento de Pediatria da SOTIERJ vai encaminhar um resumo dos aspectos que foram comentados e uma proposta a Secretaria de Saúde com opiniões que também serão divulgados em nosso site.
Agradecemos o apoio do CREMERJ e da SOPERJ.
Rosane Goldwasser
Presidente da SOTIERJ

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