Sesdec discute grupos de risco em mais um debate sobre a Gripe A

02.09.2009

Rosane Goldwasser, Antônio Marinho e Roger Rohloff

A Gripe A nos grupos de risco foi o tema do debate da última terça-feira, 01/09, realizado pela Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil (Sesdec). Este foi o segundo da série sobre Gripe A transmitido ao vivo pelo site www.riocontragripea.rj.gov.br. O encontro reuniu Roger Rohloff, médico intensivista que é chefe da UTI Materno-Fetal do Hospital Maternidade Fernando Magalhães e da CTI Materno-Fetal do Grupo Perinatal, e Rosane Goldwasser, especialista em clínica médica, com mestrado em medicina intensiva e coordenadora das Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) dos hospitais da rede estadual da Sesdec. O debate durou uma hora e foi mediado pelo jornalista Antônio Marinho, repórter de Saúde e Ciência do jornal O Globo. Os internautas também participaram, enviando perguntas pelo Fale Conosco do site e também pelo Twitter.

Rosane Goldwasser abriu o debate lembrando que os grupos de risco são formados por crianças com menos de dois anos, idosos com mais de 65 anos, grávidas, pacientes imunodeprimidos, portadores de HIV, pacientes que fazem uso de quimioterapia e portadores de doenças cardiovasculares, neurológicas e pulmonares, mesmo sem histórico da doença. Outro aspecto que pode ser observado é que o vírus tem predileção pelas vias aéreas superiores. Esse comprometimento é que leva as grávidas a serem as principais vítimas do novo vírus, uma vez que a gravidez causa desconforto respiratório.

Muitos internautas demonstraram preocupação no que diz respeito à internação dos pacientes nas Unidades de Terapia Intensiva. Mas Rosane Goldwasser explicou que as medidas para evitar a contaminação já estão sendo tomadas:

− Os leitos na CTI já têm uma distância mínima de um metro e estamos colocando os pacientes com os mesmos sintomas nos mesmos locais − explicou Rosane.

Já Roger Rohloff ressaltou que o efeito do medicamento oseltamivir na saúde do bebê ainda precisa ser estudado. No entanto, a administração por gestantes do antiviral está se mostrando bastante eficaz.

− Já nos primeiros casos, observamos que as grávidas evoluíam rapidamente de um estado normal para cuidados que necessitavam de internação - falo em 12 horas. É muito rápido. Isso explica a urgência de internar precocemente essa paciente e tratá-la com o oseltamivir, que se mostrou eficiente para esse vírus – disse Roger.

Rohloff lembrou ainda que os idosos, especialmente aqueles que nasceram antes de 1957, teoricamente, estariam “mais imunizados” por terem tido contato com vírus semelhante, o da gripe asiática. Por isso não são tão atingidos como as crianças e os adolescentes. Segundo o intensivista, o hemisfério sul, mais especificamente a América Latina e alguns países da Oceania, por estarem no período de inverno, vem apresentando mais casos da doença. Ele explicou que os países do Hemisfério Norte se preparam para enfrentar a gripe e usam como exemplos os países que já passaram pela experiência.

Para o debate inaugural, realizado em 19 de agosto, foram convidados dois epidemiologistas que acompanham a gripe A desde o início: Roberto Medronho, chefe do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Marisa Santos, médica da Superintendência de Unidades Próprias da Sesdec. A série de debates sobre a Gripe A continua. A data e o horário do próximo encontro serão divulgados pelo site www.riocontragripea.rj.gov.br.



 


     
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